A paralisação da captação de recursos do Fundo Amazônia causada pelas atitudes e declarações desastrosas de Jair Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente não será o único prejuízo para o país. O Fundo já havia doado cerca de US$ 1,3 bilhão ao país antes da paralisação. Outras doações programadas devem ficar definitivamente canceladas.

O aporte de verbas foi paralisado por uma ação errada do ministro, agravada pelas declarações hostil de Jair Bolsonaro contra países doadores. Salles tentou mudar os mecanismos de gestão do fundo e apontou supostos indícios de irregularidades financeiras em projetos de ONGs, informa reportagem dos jornalistas Phillippe Watanabe e Rafael Garcia, na Folha de S.Paulo.
A responsabilidade do governo com as atuais queimadas fica evidente quando se constata que uma das destinações da verba do Fundo Amazônia era o combate aos incêndios na floresta.
A reportagem demonstra que o Fundo financiou vários projetos que auxiliaram no combate a incêndios e na proteção de tribos indígenas isoladas.  Os projetos não eram apenas de parcerias com ONGs, mas também com a Funai (Fundação Nacional do Índio).
A reportagem também desmente a afirmação de Bolsonaro de que o fundo servia apenas a ONGs.

(Foto: PR | Victor Moriyama/Greenpeace)

Outros órgãos governamentais e governos estaduais e municipais se beneficiavam dele. Recentemente, outra reportagem da Folha de S.Paulo mostrou que R$ 359 milhões foram usados pelos estados amazônicos para implementar o Código Florestal.
O Acre teve aprovado em 2010 um projeto de R$ 57 milhões para incentivar financeiramente práticas sustentáveis, como manejo florestal de produtos relacionados à madeira e reflorestamento de áreas degradadas.
O dinheiro que entra na floresta não vem só do Fundo Amazônia, mas de países específicos, ajuda que no caso da Alemanha foi suspensa devido às hostilidades do governo Bolsonaro e à política de descaso com a questão ambiental.
Esse montante equivale a quase quatro vezes o orçamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para despesas não obrigatórias em 2019 (R$ 286,7 milhões, valor que já considera o corte orçamentário anunciado pelo governo, de acordo com a ONG Contas Abertas).

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