O escritor Fiódor Dostoiévski narrou em sua excelente obra, “Os Irmãos Karamazov“, uma interessante estória mostrando os efeitos morais e espirituais da caridade que fazemos ou deixamos de fazer.

Fizemos uma adaptação, baseada em acontecimentos recentes e que são recorrentes dentro da Maçonaria e de outras instituições que se autointitulam filantrópicas.

Nessa representação pode ser qualquer um, homem ou mulher, seja maçom, evangélico, católico, judeu, de qualquer religião ou classe social.

A estória é sobre uma cebola. Ei-la:
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Havia uma mulher rica, esposa de maçom e membra da Fraternidade Feminina, porém egoísta, que morreu sem deixar nenhuma boa ação. Não possuía uma única virtude. Os demônios a pegaram e levaram-na para o lago de fogo.
O seu anjo da guarda (a mesma era católica fervorosa), preocupado, refletia: “Se ao menos eu me lembrasse de alguma boa ação que ela tivesse feito, iria falar com Deus!”. Recordou-se de um fato e procurou Deus: “Ela arrancou uma cebola na horta e deu a um mendigo, que batera em sua porta pedindo comida”. Deus entregou uma cebola ao anjo e respondeu: “Dê essa cebola à mulher no lago, para que nela se agarre; se você retirá-la de lá, vai entrar no paraíso; mas, se a cebola se partir, ficará onde está”.
O anjo correu em direção à mulher e estendeu-lhe a cebola: “Pegue-a”, disse ele, “e segure bem!”. Pôs-se a puxar com cuidado e a mulher aos poucos saía do lago de fogo. Os outros pecadores, vendo que ela estava sendo retirada, agarraram-se à mulher, querendo aproveitar a oportunidade para saírem de lá também.
A mulher, que sempre foi sovina (apesar das aparências de caridosa), contorceu-se e deu-lhes pontapés: “A cebola é minha, não de vocês. Sou eu que estou sendo retirada, não vocês!”. No momento em que chutava e fazia essa observação, a cebola partiu-se, a mulher caiu no lago e até hoje está queimando. O anjo foi-se embora chorando, envergonhado.
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Podemos extrair duas lições dessa estória:

LIÇÃO 1 – Toda boa ação praticada, mesmo sem altruísmo, tem o seu mérito e, de alguma forma, reverte-se a favor de quem a fez.

Não pense somente em si próprio, seja prestativo, faça o bem sempre que puder – tanto às pessoas quanto aos animais. Toda boa ação que praticar é sempre vista e valorizada por Deus; equivale a uma aplicação financeira no banco: cedo ou tarde você colherá os juros – e, dependendo do investimento, eles serão altos.
Portanto, doe-se ao próximo. Doe dinheiro, doe trabalho, doe um pouco do seu tempo; um minuto de atenção, uma palavra amiga; ou faça uma oração. E se a única coisa que puder doar for uma uma cebola, ao menos faça-o de bom coração, e não com escárnio.

LIÇÃO 2 – A evolução espiritual é individual, mas não é isolada. Também evolui quem auxilia o outro a evoluir.

Quando você ajuda a alguém a corrigir suas imperfeições morais, você se eleva espiritualmente e se aproxima de Deus. Ver o outro afundado em pecados que não são os seus jamais pode ser motivo de indiferença e tampouco de prazer para você.
Se puder, ajude-o a sanar suas falhas e defeitos; dê-lhe bons conselhos, mostre-lhe o caminho da verdade e do bem, e os benefícios de segui-lo. Mas faça-o de forma amena e sutil, evitando ser invasivo ou ríspido. Quando o fizer, não aja com espírito de superioridade, intencionando menosprezá-lo. Nem você nem eu somos melhores do que as pessoas que corrigimos. O médico, que prescreve o remédio, também pode adoecer.
Por isso, quando ajudar alguém, faça-o de bom coração. Queira sinceramente vê-lo sair do buraco, da sujeira; do lago de fogo. Assim, suas orações são atendidas, seus problemas diminuem e suas dores se aliviam. Do contrário, a sua cebola partir-se-á e você permanecerá no seu lago de fogo pessoal, sentindo vergonha de si próprio.

Allano Fabrício Vidal Padre
@allanofabricio