Algumas infundadas questões, como as que afastaram a Igreja Católica da maçonaria ainda não foram removidas porque se encontram arraigadas a injustificados sentimentos religiosos.

Este texto é uma continuação. Para compreender melhor, se você não leu o anterior, siga o link abaixo:

IGREJA CATÓLICA CONTINUA TENDO AVERSÃO À MAÇONARIA

O epicentro do principal motivo é a manifesta aversão à mencionada instituição, há séculos, alimentada pelos altos dignitários da Santa Sé, que a mantêm sob censura, facto que teve início em remotos tempos durante os quais pairou a suspeita de que a maçonaria fosse uma “associação que maquinava contra a Igreja Católica”.
Logo depois, foi disseminada também a falsa ideia de que a mencionada instituição fosse uma seita que tinha por hábito realizar reuniões secretas para cultuar o mal. Entretanto, o tempo encarregou-se de mostrar que tudo isto não passava de ação caluniosa calcada tão somente em inverdades.
Os anos foram passando e, com eles, a verdade sobre as causas de tais hostilidades não tardou em se tornar conhecida e, como era de se esperar, as maledicências lançadas contra os maçons acabaram perdendo os seus efeitos.
Este fato levou a Santa Sé a rever a sua posição e a manifestar-se sobre a maçonaria por inúmeras vezes e em todas elas o que se ouviu foi a mesma voz que, em tom uníssono, ratificava sempre as supracitadas e injuriosas acusações, mas estas, dada à inexistência de provas, nunca foram suficientes para fazer com que a mencionada instituição parasse de crescer e de avançar rumo às suas aspirações.
Ressalte-se, contudo, que para a Santa Sé nada mudou. Ela abandonou as crendices do passado, mas continua vendo a maçonaria como religião, ou seita religiosa, afirmando que dita Ordem tem um Deus próprio e para impedir que os católicos dela se aproximem, sustenta aquela que parece ser irretratável aversão, alegando agora os seguintes pontos de vista:
  1. que a visão de mundo para os maçons não é unitária, mas relativa, subjetiva e por isso não se harmoniza com a fé cristã;
  2. que a maçonaria tem da verdade um conceito relativista, afastando a possibilidade de aceitá-la do ponto de vista objetivo, o que é incompatível com o conceito católico:
  3. que o conceito de religião para a maçonaria é também relativo e não coincide com a convicção fundamental do cristão;
  4. e, finalmente, que o conceito de Deus, segundo a maçonaria, é do tipo deísta e não teísta como a Igreja o concebe.
Conforme se verá adiante, o rótulo que sempre se tentou impor aos maçons é fantasioso e há séculos vem induzindo os referidos dirigentes do catolicismo a, levianamente, cometerem um grave e continuado erro.
Entretanto, a reportada aversão teria alcançado pouca repercussão não fosse o seu recrudescimento no pontificado de Clemente XII (ano de 1.738) com a edição da bula “In Eminenti Apostolatus Specula”.
A posição que naquela época foi assumida pela Igreja Católica em relação à maçonaria, resistiu ao tempo até chegar aos dias de hoje, pois foi alimentada por imotivada, mas odiosa intolerância por parte de todos os papas sucessores de Clemente XII, claramente externada, em várias ocasiões, através de manifestações escritas e orais.
Assim, a conciliação ainda não se tornou possível e esta impossibilidade é cláusula repetitiva nas manifestações da Santa Sé, pelo facto dos seus representantes não terem conseguido superar o trauma antigo, que começou quando a maçonaria foi tida como “associação que maquinava contra a Igreja”, depois, como “associação que fazia reuniões para cultuar o mal”, e hoje, numa nova versão, e por causa de irretratável intransigência, para o alto clero do catolicismo, maçons são deístas e católicos, teístas.
Como se pode perceber, trata-se de argumento vazio, afastado da verdade, pois ser Maçom católico é o mesmo que ser advogado católico, médico católico, engenheiro católico, uma vez que a maçonaria nada tem a ver com a opção religiosa do seu filiado, assim como as entidades classistas também nada têm a ver com a mencionada opção em relação às categorias profissionais que representam.

Indubitavelmente, a conclusão a que se chega quanto ao comportamento dos altos dignitários do catolicismo, é a da negação ao princípio criador de todas as coisas, que é Deus, ante a recusa de aceitação dos maçons como se estes não fossem filhos do mesmo Deus.

Continua…

Anestor Porfírio da Silva M∴ I∴ – A.R.L.S. Adelino Ferreira Machado – Or. de HIDROLÂNDIA – GOIÁS. Conselheiro do Grande Oriente do Estado de Goiás


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