Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro, agiu como um miliciano ao tentar intimidar a jornalista Juliana Dal Piva, responsável por extensa investigação do UOL que mostra o envolvimento do presidente e de seus filhos na apropriação indevida de salários de servidores de seus gabinetes como parlamentares.
 
Wassef, que ficou famoso por esconder o operador das rachadinhas da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, em uma casa de sua propriedade em Atibaia, enviou uma longa e bizarra mensagem de WhatsApp para a colunista em tom ameaçador.
 
O comportamento criminoso é suficiente, em um regime democrático, para que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) abra um processo levando-o à cassação de seu registro. Em um regime democrático.
 
Mas ele também diz muito sobre o momento em que vivemos, no qual uma “cultura miliciana” chegou ao centro do poder na República. Nesse contexto, quem está insatisfeito com o trabalho de investigação da imprensa não recorre à Justiça, mas tenta intimidar repórteres por conta própria.
 
O sentimento de impunidade é tão grande que ele não se preocupou que o conteúdo fosse amplamente divulgado. Não se importa em dizer que a repórter precisa ir morar na China porque lá “você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”.
 
Talvez até quisesse isso para cair nas graças do patrão. Vale lembrar que Bolsonaro, nos últimos dias, tem atacado senadores da CPI da Covid e o presidente do Tribunal Superior Eleitoral porque não quiseram baixar a cabeça para ele – ao contrário do que fez a cúpula das Forças Armadas no episódio da nota contra o Senado.
 
Passando por cima da Constituição, ele tenta intimidar membros dos Poderes Legislativo e Judiciário para governar do jeito que quiser, como se a República fosse um território controlado pela milícia.
A mensagem, celebrada em grupos bolsonaristas, serve para excitar a tropa de extrema direita.
Mas reforça junto à imprensa a certeza que o jornalismo investigativo de qualidade é o caminho certo para mostrar ao país a real natureza de quem está no centro do poder. Evitando assim que essa “cultura miliciana” finque raízes.
 
Leonardo Sakamoto - Wasseff age como miliciano ao tentar intimidar jornalista do UOL