É aquela velha história: sempre que um famoso falece, ele é transformado em maçom. Foi o mesmo com Mandela, por exemplo. Geralmente isso ocorre por duas vias: ou fanáticos religiosos aproveitam para transformá-lo em maçom, illuminati, satanista, apontando uma morte trágica ou dolorosa como punição divina; ou membros ansiosos para dizer aos outros que são irmãos de famosos precipitam-se em afirmar isso. Em ambos os casos, há o proveito, intencional ou não, do fato de que mortos não desmentem boatos.
No meio maçônico, circulou até o nome da Loja na qual Kobe supostamente teria sido iniciado e seria um membro: Winchester, de Indiana. Essa Loja realmente existe, tem o número distintivo 56 na Grande Loja de Indiana e está situada na cidade de Winchester, daquele estado. Essa cidade tem menos de cinco mil habitantes e Kobe nunca morou nela, nem mesmo em Indiana.
Acontece que essa loja criou um website, em 2016, daqueles bem feios, que não tinham nem domínio próprio. E, entre as dezenas de páginas do site, há aquela fatídica página de “maçons famosos”, que uma página sempre copia de outra sem verificar as informações, com mais de uma centena de nomes. E, entre tantos, muitos verdadeiros como George Washington e Benjamin Franklin, há alguns não maçons listados, como Albert Einstein, Karl Marx, Stalin e… Kobe Bryant.
Provavelmente, um irmão brasileiro que não domina a língua inglesa acessou esse website, viu no cabeçalho “Winchester F & A Masonic Lodge No. 56” e o nome de Kobe na lista, bastando para afirmar que ele era membro dessa loja, apesar de nenhum dos nomes da lista ser da Loja, e alguns nem serem maçons.
E antes que alguém comente que viu um comentário de Shaquille chamando Kobe de “irmão”, saiba que é muito comum nos EUA chamar os amigos mais próximos de irmão, assim como os colegas que serviram contigo nas forças armadas e os membros de um grupo ou comunidade a que pertença. O termo “irmão” não é exclusivo da Maçonaria.
Escrito por 

Kennyo Ismail